domingo, 15 de novembro de 2009

Paladino do Sublime

para Pedro Paz

Amanhecia no vermelho distante
e o marulho fino das estrelas
pintadas ao longo do tapete
cinza abria teu mundo de
astros. Palavra querendo ser
luz a sair de teu peito terno
de elevações míticas, onde
distribuem-se esmeraldas
nas alturas de tua voz
exageradamente pura,
nas crônicas do eterno,
na herança egípcia de
contar o tempo pelas
flechas e cinturões
cravados no negro
tapume de sonhos
em que também me
refugio quando
ouço teus
cantos.

Pedro Lago.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Câncer

Não escondo minha pieguice,
mesmo que a fantasie
com alegorias pós-modernas,
porque sou canceriano.

Mesmo tendo a Lua em Virgem,
o bravo Escorpião na superfície
a mostrar a vaidade presente,
sou canceriano.

Vislumbro os abraços quentes,
os beijos lentos,
os dizeres do que se vê e sente,
porque sou canceriano.

Necessito da presença da vida alheia
neste prazer de “estar ao lado de”,
do cafezinho num lugar tranquilo,
pois sou canceriano.

Mas temo a proximidade ao berço,
da forma simples em estado puro,
da dor que arde no peito aberto,
em que nada posso fazer...
porque, sim, sou canceriano.

Pedro Lago.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Momento Íntimo

Olho-te firme
em tua ansiedade
de ser tocada.
Deslizo as mãos
pelo teu rosto, enquanto
as tuas me despem lentamente.
Minha língua passeia
pelo teu pescoço e, delicadamente,
teus seios enrijecem em minha boca.
Arranho-te,
e desço em direção ao teu prazer.
Ali permaneço, descobrindo cada lado
de teus pequenos lábios.
Gemes gemes e suspiras,
volto à tua boca,
que, de súbito, me engole.
Penetro lentamente no calor de teu corpo,
sussurro palavras molhadas em tua orelha
e, juntos, aguardamos o momento
de sermos leves como as nuvens
que se formam na aurora.

Pedro Lago.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Surto de Volúpia Possessiva

Volúpia, força pura
da libido,
toma tudo
violentamente,
tremendo o corpo
e trincando os dentes,
a dizer que somos
fracos reis possessos,
surtando no carnal desejo
ao que nos mantém vivos,
expondo as garras
pelo sangue do sexo
acima da razão
e do olhar perplexo,
babando como feras
malditas, sedentos
de orgasmo,
repleto de gritos
e lambidas, no deleite vão
do domínio dos povos
de seu reino,
nas tardes calmas
e no silêncio dos leitos.

Pedro Lago.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Silêncios de uma tarde

Pressentir os instantes
ao primeiro sopro dos ventos
que criaram as ondas
de tantos mares
em continuidade às erosões
de infinitas mutações
geográficas, no tempo
real das formações
que hoje compõem
suspiros à esperança
de dias mais verdes;

na mesma calma
que traz a compreensão
de uma obra estática,
sustentada por pregos
que descansavam antes
do confronto ao muro,
e nas frases soltas do dia
não ditas nas madrugadas,
onde a cidade ostentava
as luzes que se apagavam
em outros movimentos
a tocar a existência,
tiquetaqueando provocações
na mesma necessidade
aos mesmos instantes
que coexistem em todos
esses intervalos;

o silêncio é o sublime
nas vastas galerias,
percorrendo formas
na leitura das cores
em diversas faces
moldadas por mãos
de solenes artesãos;

tal qual o vibrante nada
a surgir nas tentativas
de estabelecer melodias
em ritmo lento,
ou o salto intenso
ao término das palavras
em tamanha maestria,
na procura do próximo
discurso que trará
outro momento como este,
ao fechar as páginas
de um livro.

Pedro Lago.

sábado, 17 de outubro de 2009

A menina e os livros

A menina olhava os livros atentamente,
como quem procura uma flor amarela.
Olha, cruza os braços, observa
os caminhos que poderá percorrer.
Não se decide. Quer algo, mas não sabe.
Seria um romance?
Um poema de amor?
Ou tudo isso no olhar
de um poeta que a observa
neste pequeno poema?

Pedro Lago.

domingo, 11 de outubro de 2009

Da nuca

Nuvens anis ventilam
flores atrás dos ombros,
e mudam de lugar
sempre que tento
vê-las. Seriam as
páginas lidas entre
músicas, pintando
imagens nos muros
erguidos em tantas
aulas de língua
portuguesa?

E ficam ali, sussurrando
as coisas que escrevo,
na confusa composição
de tudo que penso
e tento sentir,
no silêncio dos meus
olhos fechados,
diminuindo a pressão
do meu bruxismo,
tudo sempre muito
simples e claro,
se devidamente
iluminado pelos fiapos
de vida que torna tudo
um pouco mais feliz.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Varanda

Gosto desse silêncio
cheio de pássaros,
de quando tento
me apossar do verde,
e transformá-lo em
lágrima de leitura,
após dançar ao ritmo
de qualquer poeta lírico,
sentindo subir a imagem
de seus sonhos, como
o sangue dos lábios
e o desfalecer das pedras,
que tanto pesam no peito,
na levitação do corpo
calmo, livre, em forma
de suspiro.

Pedro Lago.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Belo

Inúmeros traços escritos
em torno da mesma ilusão.
Escadas flutuantes
a subir até a superfície
das nuvens, onde não mais
se respira, e na sustentação
da idéia a manter-se ali
por incontáveis instantes,
posto que são claros,
tal a brancura do solo
macio, na extensa visão
do todo, e lembrar-se
de tudo ao retornar, pois,
na ponta dos dedos,
está a transcrição da
reluzente face,
desta que buscamos
a cada dia.

Pedro Lago.

domingo, 27 de setembro de 2009

Tarde

"A ignorância no Brasil é a Pedra da Gávea"
Nelson Rodrigues

...e o sol se punha,
bravamente,
sobre as rochas fraternas
e a grande ignorância brasileira.
A luz batia no espelho d’água,
enquanto os guerreiros de laranja
venciam mais uma batalha.
Plenamente, o amarelo
abraçava o branco e o azul,
gerando um filho alaranjado.
Os pescadores, ao longe,
compunham o quadro marinista.
A brisa úmida anunciava
o retorno do grande astro
que brilhará novamente,
fazendo continuar, assim,
o eterno poema.

Pedro Lago.

domingo, 20 de setembro de 2009

Descrição em Blues

De olhos bem fechados,
respiração leve,
três ou quatro sentimentos
recentes, frases espalhadas pelo quarto,
a luz da cabeceira a iluminar
o pequeno caderno,
e a compreensão de que é feito
um solo de saxofone.

Frio, muito frio, esta noite.
Só a luz azul do Redentor
entre as frestas da varanda.
Algumas palavras escritas
no correio eletrônico,
algo surgindo em meio
ao silêncio,
e ainda os olhos fechados.

Talvez nada seja definitivo.

Um mínimo de erupções
dentro do peito,
e aos poucos vai surgindo a clareza
da nudez em si.
Sou eu que estou ali,
estupefato,
“Decifra-me ou te devoro”,
e eu nada sei.

O pequeno bolo de massa
dilatando, dilatando,
até formar uma camada fina.

Quando a música acaba,
volta aquele zunido
da noite,
volta o frio dos pés descobertos,
a certeza de que nada sei,
e de que é melhor ser leve.

Pedro Lago.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pensando

Minha alma tem daquelas frases soltas, tropeços de curiosidades tantas que se formam em pequenos montes em profundas cavernas estreitas e escuras, percorrendo o subterrâneo dos países metafísicos, que raramente vejo em sonhos, mas se materializam nas manhãs.
Minha alma compõe um mosaico de formas indefinidas que turvam a compreensão do todo e me fazem crer nas águas dos córregos do prazer e, assim, dar nome à obra.
Grande casulo do pensar contínuo, sofre sempre invasões bélicas desgovernadas, sem generais, que deixam no solo os restos da marcha como adubo das matas híbridas, revelando a frágil face do vale.
Busca a desfragmentação da vida de outrora para enveredar-se nos campos distantes, ouvidos agora, onde está a única flor a nascer da pedra, a ferver o corpo em chamas crescentes.
A mudança como estreito caminho para a elevação. Despir-se inteiramente e seguir. Banhar-se no mar de novas formas e sorrir.
Não é anseio dos deuses tornarem-se humanos e, sim, a inevitável busca da liberdade poética, no velho ato de recriar tudo e transformar o amanhã em uma página em branco.

Pedro Lago.

domingo, 13 de setembro de 2009

Amores sempre

Admiro dois amigos de infância
que, tendo vivido juntos
tantas descobertas,
encontraram um no outro
o afeto que crescia
inocente, e hoje,
são motivo de belas canções.

Já duas meninas que se abraçaram
a uma nova questão, e se tornaram
intensas amantes, tal aqueles
que, num passeio pelo Parque Lage,
viram seus corações vibrarem
no que seria apenas uma
aula de fotografia.

Ou a mulher que sempre
acreditou ser aquele
o homem de sua vida,
e, na dor da separação,
viu que era justamente
ele quem a impedia
de amar verdadeiramente,
como faz hoje.

Assim como o rapaz,
que vivia perplexo por
um período tão longo,
mas tempos depois, viu
sua angústia ter fim
por aquela que conhecia
há tantos anos, mas
nunca haviam se falado.

Amantes exalam aromas
por todos os lugares,
dando sentido a poemas
e canções, dizendo o que
alimenta seus carinhos,
na justificativa daquilo
que chamam de inspiração,
a perceber que vem do amor
a essencial matéria de todas
as coisas inexistentes ao tato,
e saber que as estrelas nunca
morrem, apenas brilham
em outro lugar.

Pedro Lago.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Apenas

Porque todos querem amar,
seja agora, amanhã ou
num dia simples como este
em que chove tanto,

e submergimos pouco abaixo
da superfície e, lá em cima,
fica claro o que se quer.

Vontade de sempre estar ali,
mesmo na necessidade
de tornar a respirar,
e tudo voltar a ser azul,
infinito,
assim,
sem sorrir muito,
pois não se idealizam cores,
tampouco texturas,
somente formas fracas
em grafite
clarinho,
sem marcar muito,

e esperar sem esperar,
que, em qualquer dia
mais claro, componha-se
o que se pensa agora,
assim,
sem saber o quê.

Pedro Lago.

domingo, 6 de setembro de 2009

Le Coup de Foudre

O choque de um relâmpago
a descarregar repentinamente
o corpo que traz nos olhos,
o motivo ao suspiro dos poros
em êxtase constante,
de encontro a outros olhos
que trazem o exato momento
de explosão, tão raro quanto
o alinhamento dos planetas,
e vibram ao mesmo tempo
que o peito de dois indivíduos
que se encontram em qualquer
lugar do mundo, na inocência
de nunca ter sabido o que era isso,
sem notar que estão mudando
o curso da existência, quando
prosseguem ao que lhes foi
concedido pelas profundidades
mais inertes da imensidão
do cosmos.

Pedro Lago.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Risco

Medo de sentir tudo ao
mesmo tempo.
Tento. Mas vem um
vento e toca feridas
abertas pelo não saber
das coisas, as quais trazem
sensações estranhas,
muitas vezes boas,
mas sapateiam no limite
entre a vida e a morte.

Vertigem.

Vontade de voar alto,
mesmo temendo as ânsias
dos rasantes e, no sonho,
fico mais tranquilo, pois
achei a forma de gostar
de tudo isso, pela prática
dos ensaios e a véspera
da estreia. Quando creio
subir ao monte mais
alto, mais longe, e lá, uma
velha pedra à minha espera,
o papel em branco, o enigma,
será que lembrarei?

Gosto pelo ar medieval,
princesas escondidas,
guerreiros do emblema
sagrado e uma vida de
filosofias em erupção.

Que lugar é este onde piso?
Tudo tão branco, tão virgem.
Tintas espalhadas pelo chão
e um rio de motivos.
O desejo de fazer aquilo
que se vê ou a coragem
para o que se quer.
Ah! É ali que eu vou.
Na luz inexistente ao fim,
pois, ora, não há fim,
o fogo é a pena, o peito,
e vou correndo até cansar,
e quando as pernas doerem
na excitação do caos,
as asas me fazem conhecer
os outros lados do verso final.

Pedro Lago.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Ode aos Gênios

Estes todos que permeiam
minhas vísceras
a entrar no meu sangue
ainda virgem
por tantas e tantas faces da mesma questão
fazendo com que eu tema o salto,
mas gritando aos ouvidos do mundo
que é preciso acreditar
na própria loucura;
em tessituras e composições
que transgridem o presente,
como algo que surge
e transcende,
removendo paredes erguidas
ao longo da história
de todas as músicas,
subindo, subindo,
a forçar os limites de onde
o peito se rasga brutalmente
em tempestades,
na voraz plenitude do estrondo
grave, rugindo,
a tornar o corpo a grande erupção
de tudo que há de mais quente,
transbordando,
transbordando matéria bruta
das mais íntimas raízes
que nos trouxeram até aqui,
no gerúndio das respirações
da crista que se forma
a cada instante,
molecularmente rebelde e
liberto do que há de concreto
na criação de tudo que alimenta
a permanência destes tantos
que me acompanham por dias e noites.

Pedro Lago.

domingo, 23 de agosto de 2009

Nervos

É naquela angústia
inebriante, forte
qual aguardente
mórbida, que os
tremores dos nervos
viram palavras
de esplendor.

A lágrima do mundo
pela janela fechada,
e, em seus gritos,
ultrapassa no silente
calor a torturar
o anseio de amor.

Vidas que florescem
ao longo dos séculos,
e caminham nas
páginas resumidas
da lembrança.

A necessária dor
da pureza budista,
a memória interior
para consistência
artística, e o simples
falar das coisas
a desprender-se
das pedras aflitas.

Poderia olhar as folhas,
e dizer que dançam
como títeres, ou
olhar as montanhas
à procura de novas
fontes...

Mas há o nervo
que sente a profunda
marca do tempo,
e percebe que não
há muitos afazeres
quando a vida segue.

Pedro Lago.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Poema para Ana Cristina

Proposição do poema sem culpa.
Foi o que aprendi com Ana Cristina.

Ficar perto do afeto e deixar doer
só um pouco, depois fica mais
simples.
E seguir a seta de olho na biruta,
esperando o golpe de ar tirar-lhe
do chão e, com os braços, planar
como um condor em direção aos
outros continentes, até cansar
a escápula alada da percepção.

Pedro Lago.

domingo, 16 de agosto de 2009

O Grande Livro

Seguia pelas pegadas da
travessia até chegar na
página quinhentos e três.
Dobras intactas, coladas.
Uma primeira edição
percorrida somente até
aquela vereda.
Dali em diante,
seria mata fechada.

Com a faca, cortei o papel
cinquentenário e virgem
de dedos. Era o meu caminho.
Os outros me aguardavam
juntos numa casa velha. Chovia,
e os cavalos não fugiram.

Era o silêncio antes do
primeiro tiro. Os corpos
se contorciam,
amontoando-se na terra.
Sangue na terra é marrom.

Muitos morreram depois,
inclusive ele, que era ela.
Não haveria mais como
redimir-se das decisões
de um mundo sem lei.

Era o diabo criado
balançando o rabo.

A velhice veio depois
no relato seco de um
coração duro. Os dentes
podres de fumo e a
cachaça da redenção.

Alívio. Verdade. Humano.
Esta foi minha história
no Grande Sertão.

Pedro Lago.

Arpoador

Duas jovens mamães
levam seus pequenos
à pequena piscina
formada pelo banco
de areia nesta linda
segunda feira no
Arpoador.

Tais bracinhos seguram
forte os dedos, pé ante
pé na já fria água das
quatro e meia.

E são irresistíveis
quando riem,
hipnotizam tudo ao
redor, rindo junto
com elas.

Poucos metros adiante
o sorveteiro é cercado
por esses devoradores
de manga e chocolate.

Criança não devia crescer.

Ao menos no poema,
elas serão sempre a
límpida fonte da
minha tarde, e as
jovens mamães,
a custosa união de
beleza e ternura na
fragilidade feminina.

Pedro Lago.

Nayana

Quando ela voltou de
Alto Paraíso dizendo
coisas lúcidas de um
mundo perfeito, me
veio na hora um pavor
de não ser dono de mim.

Minha mente é como
um rádio infinito, que
quando começa a
relatar catástrofes
ponho na estação
do samba e saio por
aí cantando sozinho.

Olho para os outros e
penso que me escutam,
peço desculpas por ser
repetitivo e vou nos
seis ou sete sonetos
que sei de cor.
Será assim a vida toda?
Que dor de cabeça era
a do João Cabral?

e ela, sorri com os olhos
simplificando a vida,
pois sabe quem é desde
a infância, eu não.

Ela agora quer seguir o
guru indiano, parou de
beber e, quem sabe,
salvará o mundo. Então,
quando nos despedimos
da conversa iluminada,
vi que era ela a minha
grande amiga.

Pedro Lago.

O Índio

A rachadura na fresta
rosada da varanda,
junto a um borrão
de tinta branca,
forma o rosto de um
índio que grita evocando
os deuses do dia para
nos proteger da noite
e, deitado na rede, ouvindo
seu suplício, lembrei dos
meus tempos ao lado de
Don Juan e Castañeda.

Um beijo agora poderia
me tirar do eixo,
um beijo apenas abriria
o ato trágico numa
orquestração aguda, com
o velho tenor e entrar em
cena:

– Don Giovanni!

Por que esse medo de sua voz?
Será que o índio na verdade é
o tenor?
Uma hora depois do início da Nona,
entra o coro na espreita e a figura
olha pra mim, no sangue mais rápido
que o normal, bem longe das frases de
Buda e os mantras calmos.
Não. Ele é um índio pintado de branco,
um xamã esfumaçado,
na insubstanciabilidade do fogo,

queimando enquanto sinto
um cheiro doce. Não. Não vou
ficar louco. Pois o louco não teme
o irreal. Eu, vou passo a passo,
em sua celebração, pintando-me
também de vermelho e amarelo,
dentro da roda onde todos estão...

...e o cachimbo queima queima
o gosto estranho da fumaça
passa passa,
e sou tomado por algo que vem de lá,
não volto mais em mim.
Que eixo é esse? Sou um pássaro!
Sou a música! Sou a noite quente
dos índios juntos,
deserto verde mata
ao som de palmas e é a primavera
chegando ao hemisfério sul,

e aos poucos vou voltando,
acalmando até o manto alaranjado
da rede da minha varanda.

Pedro Lago.